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Mudar os Símbolos de Portugal |
To: Cidadãos PortuguesesEste assunto que vou aqui debater é polémico. Por isso, começo já pela razão que me leva a escrever: entendo eu, na minha modesta opinião naturalmente, que é altura de mudar a bandeira de Portugal ou, pelo menos, será tempo de falarmos nisso. Justifico, desde já, afirmando sem pejo que não somos os mesmos de 1910 e se os símbolos nacionais servem para alguma coisa devemos reflectir se os actuais ainda nos representam ou não. Pessoalmente, não me revejo na bandeira actual. Respeito-a porque sei representar o meu país. Mas apenas isso. Não a amo. Não me diz nada e não sinto que o povo a que pertenço queira estar representado por semelhante anacronismo. Uma bandeira não é apenas um jogo de cores e de formas. Uma bandeira é um conjunto de símbolos e de mensagens que tem por missão espelhar o sentir de um povo. Angola, por exemplo, consta que vai mudar de bandeira por já não sentir o mesmo que sentia quando aprovou a actual. E é bem interessante a mutação de conceitos. Investiguem, se assim vos aprouver.
Alguns poderão dizer que não verão nisso razão, e poderão até afirmar que “a bandeira é esta, não faz mal nenhum, deixem-na estar”. Desde que não digam que sempre foi esta, óptimo, porque, se não sabem, já vamos na...décima primeira.
Para mim, o assunto tem importância pela simples razão que, caso contrário, mais valia não ter bandeira nenhuma. Um pano qualquer, na cor que houvesse, com um endereço de internet do portal do governo, ou com as coordenadas geográficas do país serviria perfeitamente. Pronto, éramos aqueles que estávamos ali. Mas como as bandeiras pretendem muito mais do que sinalizar a existência de um país, território, agremiação ou grupo excursionista e são tidas como um símbolo maior, entendo que vale a pena reflectir um pouco sobre o seu significado. Afinal de contas, vivemos na era da imagem e ainda antes de cá termos chegado já dizíamos que “uma imagem valia mil palavras”. E vale, concordo em absoluto. Naturalmente, um país não é uma marca de detergentes ou um sumo de frutas e não se compadece de actualizações de imagem a um ritmo semelhante ao daqueles. Mas a nossa bandeira já vem de 1910. Tão velha quanto a república, portanto. Aqui entrarão os republicanos dizendo, quiçá, que eu serei algum género de saudosista dos reis ou que tenho algum problema com a república. Nem me ocorre tal. A questão não é essa. A questão é a de saber se os significados tal como foram consagrados em 1910 continuam, ou não, a fazer sentido para o Portugal do séc. XXI.
Uma bandeira muda por várias razões, sendo as principais uma revolução, a mudança de regime ou de rei, uma invasão estrangeira ou uma conjugação de estados como a bandeira do Reino Unido, por exemplo. De entre estes pressupostos, já perdemos uma oportunidade com o 25 de Abril que foi um corte epistemológico suficientemente marcante para justificar uma mudança. Mas tinha sido outra bandeira revolucionária e todos sabemos quão pouco clara é a mente no rescaldo das revoluções. Mas os símbolos de um país também podem mudar quando o povo que lhes cabe representar entende já não se rever na sua mensagem silenciosa. Eu apreendo que é esta a situação de Portugal. Senão vejamos:
A Bandeira actual fez 97 anos. A média para cada uma é de 76,6 anos
Dissertava eu sobre o facto de um país não ser um produto de supermercado e, por conseguinte, não dever andar a mudar de imagem como qualquer esfregão da loiça. Concordo. Mas observemos: Portugal fez, neste ano da graça de 2007, 843 anos. Como já vai na décima primeira bandeira, isso dá uma média de 76,6 anos por bandeira. Como a actual bandeira foi concebida em 1910, quer isso dizer que já fez 97 anos! Está acima da média, portanto. Muito acima. Está definitivamente velha para o ritmo que nós próprios temos incutido à actualização dos símbolos nacionais. Portanto, do ponto de vista da estabilidade dos símbolos e segundo a forma como temos levado a coisa, esta bandeira já passou do prazo. Por aqui podemos estar descansados então. Resta o significado, obviamente o mais importante no meio disto tudo.
A Simbologia da Verde e Vermelha (e branca, e amarela, e azul às pintinhas...)
Para começar, parece-me legítimo voltar a afirmar que o Portugal de 1910 é muito diferente do Portugal de 2007. Mas os símbolos podem ser eternos e amor em 1910 é amor em 3049, e paz em 1910 será, seguramente, paz em 4157 tal como alegria, paixão, ódio, tristeza e quantos mais sentimentos eternos que dão origem a símbolos. Será, então, de recordar os símbolos da nossa bandeira verde e vermelha. Para o senso comum, o verde significa a esperança, o vermelho o sangue derramado na guerra, a esfera os descobrimentos, as quinas as chagas de Cristo e os castelos as sete cidades onde os mouros levaram nas ventas. Os mais ilustrados ainda dirão que “contando as chagas e duplicando as chagas da quina do meio, perfaz-se a soma de 30, representando os 30 dinheiros que Judas recebeu por ter traído Cristo” pois é exactamente o que diz, por exemplo, na versão reduzida do conceito apresentado no sítio da Missão Permanente de Portugal nas Nações Unidas. Mas vamos ao texto mais oficial que pode haver e que se encontra, naturalmente, no Portal do Governo onde são apresentados excertos do texto original da Comissão encarregue pelo governo de descobrir uma nova bandeira, e que passo a comentar.
Depois das especificações técnicas de tamanhos e proporções surge de imediato a seguinte afirmação:
“A escolha das cores e da composição da Bandeira não foi pacífica, tendo dado origem a acesas polémicas e à apresentação de várias propostas.”
Comentário: começou bem, portanto. Pois, por mim, a polémica continua, e provavelmente com razões ainda mais substantivas do que a dos contestatários de 1910 porque, repito, Portugal não é o mesmo. O mundo também não. Pensamos quase todos de outra forma.
O Branco, a Cruz e os Salpicos Azuis
Diz o texto oficial: "uma bela cor fraternal, em que todas as outras se fundem, cor de singeleza, de harmonia e de paz " e sob ela, "salpicada pelas quinas (...) se ferem as primeiras rijas batalhas pela lusa nacionalidade (...). Depois é a mesma cor branca que, avivada de entusiasmo e de fé pela cruz vermelha de Cristo, assinala o ciclo épico das nossas descobertas marítimas".
Comentário: o branco foi escolhido por simbolizar fraternidade, singeleza, harmonia, paz e comunhão. Perfeito. Por mim tudo bem. Se assim é, acredito que no Portugal do séc. XXI senão continuamos devemos continuar a pugnar pelo mesmo. O problema começa nas quinas que salpicam o branco, como a Comissão define. Começa a simbologia da guerra. É uma no cravo e outra na ferradura, em bom português. Por um lado vem o branco a puxar-nos para a paz e para a harmonia, por outro, a guerra, as batalhas pela nacionalidade. Terão sido meritórias, devemos-lhe, quiçá, um país mas teremos de estar sempre a viver com elas? Teremos de colocar isso na bandeira? Para mim é... POLÉMICO!
Segue-se o entusiasmo e a fé simbolizada pela cruz de Cristo e o ciclo épico das Descobertas. Primeiro, e alguns vão-me acusar de apátrida, não descobrimos nada. Nenhum dos sítios a que aportámos era deserto a não ser, talvez, os Açores e a Madeira. Se se quiser falar da epopeia marítima, óptimo. Foi, de facto, uma epopeia. No que toca a descobertas, o máximo que descobrimos foi o caminho para lá chegar. A insistência na ideia de que descobrimos o mundo é típico da visão etnocêntrica ocidental que me parece desactualizada neste mundo do séc. XXI, da aldeia global, onde acredito se pretenda respeito mútuo entre os povos, aproximação e universalismo. POLÉMICO!
A cruz de Cristo que “aviva de entusiasmo de fé assinala o ciclo épico das nossas descobertas marítimas”. Da expressão “descobertas” já falei e, dando de barato que continuamos a querer eternizar a Epopeia, o que acho estranho dadas as tímidas celebrações dos 500 anos em que “levámos na boca” dos espanhóis em toda a linha - até um filme (mega produção) do Colombo (sim, aquele que nós dizemos que era alentejano) eles produziram e nós nem andámos perto. Além disso, não sei até ponto, a contínua referencia à Epopeia marítima não me soa àquela conversa dos deserdados quando recordam o tempo em que viviam num palácio. Mas enfim, a questão aqui é outra: a cruz de Cristo. Sendo Portugal, graças a Deus, um estado laico onde a igreja está claramente separada do Estado conforme o Artigo 41.º da Constituição Portuguesa (Liberdade de consciência, de religião e de culto) que cito, “as igrejas e outras comunidades religiosas estão separadas do Estado e são livres na sua organização e no exercício das suas funções e do culto”, como pode então subsistir na bandeira a cruz de Cristo? Souvenir histórico? Promessa? Temor ou pura distracção? POLÉMICO!
Ao azul, uma cor que esteve sempre presente na bandeira, não é feita qualquer referência. Talvez o mar, talvez o céu, talvez porque sim. Mistério.
O Vermelho Viril
Diz o texto oficial: “nela deve figurar como uma das cores fundamentais por ser a cor combativa, quente, viril, por excelência. É a cor da conquista e do riso. Uma cor cantante, ardente, alegre (...). Lembra o sangue e incita à vitória".
Comentário: quanto ao “cantante, ardente e alegre”, quanto à “conquista” (se for de amor) à combatividade, ao “riso” (ri-se pouco em Portugal com genuína vontade, apenas das patetices correntes) e ao calor do “quente” não tenho nada a dizer. Mas “viril” e o “lembra o sangue e incita à vitória” não posso deixar passar. “Viril” é palavra macho o que exclui, à partida, todas as mulheres de Portugal e é um exemplo típico do pensamento de 1910: mulher é para a cozinha o homem para a bandeira. No dicionário da Porto Editora “viril” é assim descrito: “referente ao homem ou ao varão; próprio do homem; varonil; masculino;” POLÉMICO! MUITO POLÉMICO!
Depois vem o sangue. Em primeiro lugar, penso que nenhuma bandeira deve lembrar sangue, depois questiono-me: será que o facto de nos lembrarmos do sangue nos incita à vitória? Por muito menos o guarda-redes belga ia sendo linchado na via pública. Nada contra ambição de vitória. Mas sem sangue. POLÉMICO!
O Verde Rebuscado do Raio e da Esperança
Diz o texto oficial: “Na verdade, trata-se de uma cor que não tinha tradição histórica, tendo sido rebuscada uma explicação para ela na preparação e consagração da Revolta de 31 de Janeiro de 1891, a partir da qual o verde terá surgido no "momento decisivo em que, sob a inflamada reverberação da bandeira revolucionária, o povo português fez chispar o relâmpago redentor da alvorada".”
Comentário: Começo logo a suar com a palavra “rebuscada” e pergunto-me se uma nação precisa de uma explicação rebuscada para se simbolizar? De facto, a explicação adiantada pela comissão em que o povo a chispa com relâmpagos de alvorada não me faz lembrar verde nenhum, nem que me vire de pernas para o ar. Terá sido o lobby do Visconde Alvalade, homem visionário, que viu aí uma forma de não perder o pé para o Benfica pois já sabia que povo não tardaria em associar os clubes à bandeira? (como Sportinguista estou à vontade para estas alarvidades) Um mistério, portanto. POLÉMICO!
A esperança, tão popular na crença popular, não surge na página do governo mas aparece como a razão única na da Missão Permanente de Portugal nas Nações Unidas. Não sei se está no texto original mas, se estiver, a mim também não me agrada porque, como diz o povo, “a esperança é a última a morrer” o que não abona nada em favor da esperança porque nós morremos e ela continua. O que se confirma noutra expressão popular que diz que “quem espera, desespera” e em Portugal espera-se demais pelo que há-de vir... Se o verde surgir numa nova bandeira para recordar o valor das nossas florestas ainda existentes, nada a dizer. Se é pela “esperança” apenas, para mim é... POLÉMICO! Estou farto de esperar.
A Esfera Armilar do Rei Manuel
Diz o texto oficial: “Relativamente à esfera armilar, que já fora adoptada como emblema pessoal de D. Manuel I, estando desde então sempre presente na emblemática nacional, ela consagra "a epopeia marítima portuguesa (...) feito culminante, essencial da nossa vida colectiva".
Aqui já surge a “epopeia” em vez da “descoberta”. Melhor nesse aspecto. Mas dum lado descobre-se do outro “epopeia-se”. Uma vaga contradição. Tem também um lado positivo que é o de, apesar de esta ser uma bandeira concebida por uma revolução republicana, ostentar o símbolo pessoal de um rei. Demonstra tolerância e respeito pela história. Menos-mal.
O problema surge no sítio da Missão Permanente de Portugal na ONU quando é escrito que: “a esfera armilar simboliza o mundo que os navegadores portugueses descobriram nos séculos XV e XVI e os povos com quem trocaram ideias e comércio.”
Agrada-me a troca de ideias mas, já sabem, não posso com o verbo “descobrir” neste contexto. Digo, e repito, o mundo, e os povos, já lá estavam (muitos há mais tempo do que nós como Nação). Descobrimos, isso sim, o caminho. Senão os índios brasileiros ou os chineses, por exemplo, também podem dizer que descobriram os portugueses porque um dia foram à praia e lá estavam os nossos antepassados. POLÉMICO!
O Escudo das Cinco Quinas
Diz o texto oficial: “Por sua vez, sobre a esfera armilar entendeu a Comissão fazer assentar o escudo branco com as quinas, perpetuando e consagrando assim "o milagre humano da positiva bravura, tenacidade, diplomacia e audácia que conseguiu atar os primeiros elos da afirmação social e política da lusa nacionalidade".
Diz a Missão Portuguesa na ONU: “As 5 quinas simbolizam os 5 reis mouros que D. Afonso Henriques venceu na batalha de Ourique.”
Comentário: No portal do governo, as justificações apresentadas, segundo o texto da Comissão, não escandalizam ninguém. “Bravura, tenacidade, diplomacia e audácia” e “afirmação social e política da lusa nacionalidade” são conceitos que até deveríamos ter bem mais presentes no nosso quotidiano. O contrário surge com muito mais frequência. A porca torce o rabo, se me permitem, no texto da nossa missão onde se escreve que as quinas simbolizam os "5 reis mouros que D. Afonso Henriques venceu na batalha de Ourique". Será de eternizar isso? Será que gostávamos que os marroquinos tivessem uma alusão na bandeira deles ao nosso rei enevoado que se finou em Alcácer Quibir sob as setas deles? Não me parece. No mundo em que vivemos, numa época em que o ocidente é acusado de mover uma nova guerra santa contra os Islão (sem razão na grande maioria dos casos), quando se torna absolutamente necessário estabelecer bases de diálogo, quando está na agenda politica a ponte com África e a absoluta necessidade de resolver as questões sociais graves que motivam a imigração desesperada para o sul da Europa, será que um pais da Comunidade Europeia deve ostentar na sua bandeira uma alusão às chacinas dos mouros? Parece-me que não. Aconteceu, foi um facto, mas estamos em 2007. Para mim é de quinar. POLÉMICO!
As Quinas com Pinta
O portal do governo não se debruça sobre o seu significado mas na página da Missão Portuguesa da ONU, o texto é bem explícito e retomo-o: “Os pontos dentro das quinas representam as 5 chagas de Cristo. Diz-se que na batalha de Ourique, Jesus Cristo crucificado apareceu a D. Afonso Henriques, e disse: "Com este sinal, vencerás!". Contando as chagas e duplicando as chagas da quina do meio, perfaz-se a soma de 30, representando os 30 dinheiros que Judas recebeu por ter traído Cristo.”
Comentário: Lá vem o bom do Cristo de novo pelo que não tenho mais a adiantar em relação ao que já escrevi quando me referi à cruz do mesmo. Mas quando se diz que partem de uma aparição e da traição de Judas, sem querer por em causa a teologia católica, que serve apenas para quem a professa e para quem a segue mas não para um pais laico, torço de novo o nariz. Não me parece um símbolo para ser utilizado na representação de Portugal. Aparições são isso mesmo, aparições. Pode ter sido, como pode não ter sido. Em acréscimo, volta a alusão, aqui explícita, da Guerra Santa. Segundo esta ideia, foi Deus quem mandou expulsar os mouros. Não foi o rei que tinha falta de espaço. Foi Deus, que tem as costas largas, e só gosta de nós. Mas, pior ainda do que as aparições, é a expressão “diz-se”. Diz-se? Ouviu-se falar? Será boato? Será verdade? O “diz-se”, a inexactidão, o boato, o “diz que se disse”, é uma das pragas características do nacional porreirismo, um dos piores defeitos do povo português. É a consagração da ignorância e da paixão pelas histórias da carochinha e pelo boato. Para mim é, claro, POLÉMICO! MUITO POLÉMICO!
Os Castelinhos
O portal do governo é comedido e diz que: “achou a Comissão "dever rodear o escudo branco das quinas por uma larga faixa carmesim, com sete castelos", considerando estes um dos símbolos "mais enérgicos da integridade e independência nacional".”
Mas a Missão Permanente de Portugal na ONU é mais prolífica e volta a bater nos mouros: “Os 7 castelos simbolizam as localidades fortificadas que D. Afonso Henriques conquistou aos Mouros.”
Comentário: É claro que a alusão é feita às localidades e não às batalhas propriamente ditas. Mas a ideia está implícita porque ninguém acredita que o rei Afonso tenha lá ido pedir delicadamente à mourisca que se mudasse para Sul. POLÉMICO!
Não se pense com isto que esteja aqui patente uma tentativa de branqueamento da história ou alguma preocupação bacoca de ser politicamente correcto, se é que ainda alguém desconfia que tenho essa característica depois de ter chegado até aqui no texto. O que entendo, muito sinceramente, é que basta de bater no ceguinho e que é tempo de seguir em frente, munidos, naturalmente, de tudo aquilo que a história nos deu e de todos os erros que cometemos e nos fizeram crescer como povo. O apelo é, isso sim, para a renovação. Com charme.
Chegado ao fim desta verdadeira epopeia que foi analisar a bandeira portuguesa resta-me concluir que os pontos polémicos são tantos que justificam, no mínimo, o lançamento da discussão sobre se Portugal deve, ou não, mudar de símbolos nacionais. Eu, claro, acho que sim. Além do mais, daqui a 3 anos celebra-se o centenário da República o que proporciona uma excelente oportunidade para uma renovação da imagem de Portugal. Naturalmente, num caso da máxima importância como este, o assunto deverá ser sujeito a uma ampla discussão, com o envolvimento de todos e, especialmente, das escolas porque são os mais novos que a vão viver por mais tempo.
Poderia nesta dissertação elaborar ainda sobre o Hino Nacional. Mas parece-me tão evidente a desadaptação do poema aos dias de hoje, o seu espírito bélico e belicoso, que não me parece que valha a pena, depois de tudo o que já disse sobre a bandeira, dizer mais seja o que for sobre o hino pois se mudar a bandeira é certo que o hino também deve ir pelo mesmo caminho. Apenas uma nota brejeira quando recordo que já há 20 anos, quando andava na escola, se abandalhava ao cantar “contra os canhões batatas e feijões” e outras expressões terminadas em "ões" menos próprias para se passar aqui a escrito. Mas quem quer marchar contra canhões? O pessoal nem canhões quer, quanto mais marchar contra eles...
Mudar uma bandeira não é um crime lesa-majestade. Mudar uma bandeira de um país é um movimento natural para uma nação que se pretenda dinâmica, que acredite no seu sentido e que goste de se rever nos seus símbolos. Tudo muda, e o que hoje faz sentido para nós é um perfeito anacronismo para as gerações futuras. É essa a magia da evolução. A nossa bandeira actual foi polémica na altura da sua criação e foi, não se esqueçam, produto de uma revolução com toda a turbulência que isso acarreta. Para além disso, foi uma revolução que meteu batatada. Justa, ou injusta, meteu batatada e esse espírito bélico entornou claramente para os símbolos nacionais. Estou, no entanto, certo que apesar de polémica na época, a actual bandeira de Portugal faria muito mais sentido em 1910 do que neste séc. XXI. Portugal mudou e isso é um facto. Mudem também os símbolos porque nós já não somos os mesmos. Mudar os símbolos de Portugal na celebração do centenário da República seria um sinal inequívoco, e pujante, de que Portugal está a mudar e que tem coragem de assumir essa diferença. É, também, uma oportunidade histórica para se lançar um novo fio condutor para o futuro.
Escrito por um português de hoje e que, com alguma sorte, espera também fazer parte do amanhã.
Notas:
Missão Permanente de Portugal nas Nações Unidas:
( http://www.un.int/portugal/pt )
Portal do Governo:
( http://www.portugal.gov.pt/Portal/PT/Portugal/Simbolos_Nacionais/ )
Actualizações e outros comentários:
( http://braininstorm.blogspot.com/ )
Se concorda que os símbolos de Portugal devem ser discutidos assine por favor. O nº do bilhete de identidade é requerido porque isto é um sério e quem subscrever não deve ter pejo em assumir claramente essa necessidade de mudança
Sincerely,
The Mudar os Símbolos de Portugal Petition to Cidadãos Portugueses was created by Todos os Cidadãos Portugueses and written by Fernando Eloy (fernando_eloy@yahoo.com). This petition is hosted here at www.PetitionOnline.com as a public service. There is no endorsement of this petition, express or implied, by Artifice, Inc. or our sponsors. For technical support please use our simple Petition Help form.
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