Plano de equivalências FBAUL

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    Concelho Científico FBAUL e Reitoria UL
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No curso de Licenciatura em Escultura, as disciplinas de Artes Plásticas e Design (APD), Artes Plásticas (AP) e Introdução à Escultura (IE) são as disciplinas com maior carga horária e creditação (respectivamente 9 + 6 + 6 ECTS) sendo também, naturalmente, as que implicam mais trabalho, dedicação e investimento por parte dos alunos.

De acordo com as informações recentemente divulgadas, resultantes da adaptação do curso ao processo de Bolonha, estas 3 disciplinas juntas dão equivalência a uma única disciplina, nomeadamente Escultura I (9 ECTS).

Esta situação é incompreensível visto que, como já foi referido, estas são disciplinas nucleares de maior relevância e peso em ambos os semestres. Os seus conteúdos são complementares, diversificados e proporcionam aos alunos um primeiro contacto com a Escultura (materiais, técnicas), bem como com a metodologia de projecto e processo criativo.

A não equivalência a Escultura II força, ainda, os alunos a retrocederem a um nível de conhecimentos e a ficarem com uma das mais trabalhosas disciplinas do 1º ano em atraso (trabalho esse já justificado com a conclusão de Artes Plásticas e Iniciação à Escultura).

Por último, é criada inequidade de critérios entre os alunos que terminaram uma, duas ou três destas disciplinas, como se todas as situações valessem o mesmo.

A adaptação aos novos currículos deve exigir dos professores, da escola e dos alunos um esforço de integração. No entanto, exigir que os alunos se empenhem, se esforcem sem qualquer retorno é descabido e desacredita a própria escola: Se estas disciplinas são tão inúteis, porque é que faziam parte do currículo anterior com tão expressiva carga horária e creditação?

Porque razão não foi proposto, como nas outras Faculdades e Universidades, equivalências ao 2º ciclo de estudos/mestrado? Esta opção contribuiria para incentivar os estudantes a continuar os estudos e valorizaria o trabalho "excedente" que os alunos desenvolveram para a obtenção de um grau académico semelhante.

Neste caso, a situação menos prejudicial aos alunos seria:

Artes Plásticas e Design - Escultura I
Artes Plásticas e Iniciação à Escultura - Escultura II
Escultura I - Escultura III
Escultura I - Escultura IV
Escultura II - Escultura V
Escultura II - Escultura VI
Escultura III - Eq. ao 2º ciclo de estudos/mestrado
Escultura III - Eq. ao 2º ciclo de estudos/mestrado

Outras das questões preocupantes é a exclusão das disciplinas de Cultura Visual I e II, bem como de Introdução à Fotografia.

A disciplina de Cultura Visual coloca os alunos em contacto com a arte contemporânea e estabelece relações entre a Arte e as correntes filosóficas, antropológicas, sociológicas, entre outras. A maior parte dos alunos, quando entra na FBAUL, tem uma perspectiva clássica da Arte (a que nos dá a história de Arte), contudo, a natureza do trabalho desenvolvido por um artista exige uma outra compreensão e domínio da Arte e do seu entendimento na actualidade.

A importância desta disciplina relaciona-se com o facto de estes conhecimentos serem imprescindíveis a qualquer aluno da FBAUL, e à dificuldade/impossibilidade de obter esta informação sem orientação e de forma autodidacta. No entanto, esta validade de conteúdos não serve ao curso de Artes Plásticas - Escultura ao contrário, por exemplo, de Artes Plásticas - Pintura.

É injusto, e não existe outra forma de o dizer, que a disciplina de Cultura Visual não seja contabilizada para efeitos de conclusão do curso de Escultura ou, no mínimo, como disciplina do 2º ciclo de estudos (mestrado). Recorda-se que no início do presente ano lectivo, esta disciplina fazia parte da tabela de creditações pelo que o investimento dos alunos, na conclusão da mesma, não deve constituir um esforço inglório.

Mas a situação ainda é mais bizarra no caso da Fotografia: as relações interdisciplinares entre a Fotografia e Escultura são vastas e, inclusivamente, muitos trabalhos de Escultura não são dissociáveis da Fotografia (Land Art, Arte Efémera...). A relação é tão evidente se presume ser desnecessário explicar porquê. Ora, esta disciplina deixou, de acordo com o novo plano de estudos, de estar acessível (como optativa) aos alunos de Escultura, contrariando todos os benefícios supostamente trazidos pelo Processo de Bolonha.

O que está a acontecer em relação a estas disciplinas é um mero exemplo do que acontece em todo o plano de reestruturação e aplica-se a outras situações.

A FBAUL está a seguir uma hermeticidade entre cursos que contraria profundamente benefícios “de mobilidade, da transversalidade e da flexibilidade dos programas de estudos (...) da transferência de créditos”, apregoados pelo processo de Bolonha.

A FBAUL não está a conseguir concretizar dentro da sua estrutura, o objectivo que este Processo propõe para os 45 países que subscreveram a declaração.

Em virtude do exposto espera-se que por parte dos V. serviços seja tomada uma posição em defesa dos alunos, que estão a ser multiplamente prejudicados em virtude desta reestruturação. Solicita-se, portanto, uma revisão do processo de atribuição de equivalências às disciplinas da antiga licenciatura, bem como dos planos de estudos actualmente em vigor.

Acrescenta-se, ainda, que o Processo de Bolonha defende o envolvimento e a participação activa dos alunos na definição dos currículos, e que é nesse sentido que surge este manifesto, visto desconhecer-mos ter havido outro momento para o fazer.