Abaixo-assinado em protesto à entrevista racista exibida na Rede Globo - Brasil

  • Author:
    n/a
  • Send To:
    Às autoridades brasileiras: Ilmo Sr. Ministro da Justiça, Tarso Genro; Ilma Sra. Secretária Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro; Ilma Sra. Secretária Especial de Políticas para Mulheres, Nilcéia Freire; Ilmo Sr. Procurad
  • Sponsored By:
    Fórum da Associação de Estudantes e Investigadores da Comunidade da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa em Coimbra
  • More Info at:
Nós, os abaixo-assinados, repudiamos o conteúdo exibido na programação da Rede Globo de Televisão, no dia 18 de Outubro de 2007, durante o “Programa do Jô”, pedimos uma retratação deste veículo de comunicação pela violência simbólica perpetrada nas afirmações do programa e requeremos do Estado brasileiro a apuração da responsabilidade pelas ofensas reproduzidas.

Nesse dia, no programa desse conhecido artista brasileiro foi entrevistado o senhor Ruy Morais e Castro. A entrevista realizada com humor expressou frases racistas metamorforseadas em piadas inocentes que eram abonadas pelos sorrisos e aplausos da platéia, como pode ser conferido no endereço eletrônico: http://www.youtube.com/watch?v=ySWZXekdBkw

Durante a reprodução do referido programa, o entrevistado, incitado pelo apresentador, deteve-se em apresentar detalhes do que denominaram “vida sexual angolana”. No relato que faz, vê-se a consagração da idéia de que África e os africanos representam uma civilização homogênea caracterizada pela inferioridade cultural e biológica, legitimando a mentalidade racista sustentada no argumento de que o continente africano, os países africanos, os povos africanos, em particular, a mulher africana são inferiores e que esta inferioridade pode ser comprovada por sua sexualidade animalesca.

O constrangimento latente em cada uma das declarações exige uma ação estatal imediata. Não se pode esquecer que o Estado brasileiro assume publicamente o compromisso de promover e defender os direitos humanos do que é prova todas as convenções internacionais de que faz parte. Desde 1994, o Estado brasileiro como signatário da Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher, conhecida como "Convenção de Belém do Pará" sabe que é função do Estado “incentivar os meios de comunicação a que formulem diretrizes adequadas de divulgação, que contribuam para a erradicação da violência contra a mulher em todas as suas formas e enalteçam o respeito pela dignidade da mulher”. Sabe também, enquanto signatário da Convenção Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial (1968) , que “a doutrina da superioridade baseada em diferenças raciais é cientificamente falsa, moralmente condenável, socialmente injusta e perigosa, e que não existe justificação para a discriminação racial, em teoria ou na prática, em lugar algum”. E ratifica, de acordo com o caput da Convenção Sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Contra a Mulher , que é considerada violência psicológica e moral toda forma de constrangimento e ridicularização dirigido a alguém devido ao seu credo religioso, raça, gênero ou origem nacional.

A entrevista exibida caminha na direção contrária da luta que, em diversos contextos e em distintas partes do mundo, povos de diferentes nacionalidades empreendem contra todos os tipos de opressão. Umas das questões a ser refletida na nossa sociedade global seria a seguinte: como os estereótipos racistas são reinventados em pleno século XXI? (Memmi, 1989/[1957]: 21, Babha, 2005: 105 - 128, Pinto, 1998: 168 - 210)

O senhor Jô Soares e o Senhor Ruy Morais e Castro nos fornecem uma resposta como hipótese: os estereótipos racistas seriam reinventados pela mídia ao veicular atrações racistas como esta, do Programa do Jô. É óbvio que existem outras maneiras de se reinventar o racismo e/ou construir o racismo na sociedade contemporânea, contudo, o desserviço que o poder da mídia pode prestar é um fator considerável dado o seu papel de formadora de opinião. No caso em questão, o fato de a entrevista ter sido televisionada e o seu meio de difusão ter sido a Rede Globo, que detém há anos a maior audiência televisiva do Brasil e ampla exibição internacional, aumenta drasticamente as consequências lesivas das afirmações feitas e a necessidade de ação contra elas.

O programa acima mencionado viola os direitos fundamentais expressos na Constituição Federal de 1988, as Convenções Internacionais de que o país é atualmente signatário e constrange toda a sociedade, como se não bastasse legitimar o ideário racista também acaba por propalar uma potente forma de apologia ao sexismo, à xenofobia e à pedofilia.

Ridicularizando a diversidade cultural, uma das formas mais vis de que a cultura ocidental pode lançar mão para demonstrar sua suposta superioridade, as declarações feitas na entrevista erigem o androcentrismo como único ponto de vista, apresentando a raça negra como expressão do primitivo, do irracional e as mulheres negras como objetos meramente sexuais, onde o único comportamento “esperado”, independentemente de sua idade, é a promiscuidade e a subordinação de sua sexualidade ao desejo do homem.

Assim, e por considerarmos temerária esta forma ideológica de propagação do racismo, do sexismo, da xenofobia e da pedofilia é que propomos esse abaixo-assinado, exigindo a apuração de responsabilidades e a pronta retratação da Rede Globo de Televisão em um pedido de desculpas público, com ampla divulgação, pelos constrangimentos a que submeteu às comunidades africanas e angolanas, às mulheres de forma geral, às mulheres negras de forma específica e à sociedade brasileira.

1048 Signatures

  • Jailson Pereira
    • Comentários
    •  
    • Nacionalidade
    • caboverdiana
  • Lourenço Cardoso
    • Comentários
    •  
    • Nacionalidade
    • brasileira
  • Rose Barboza
    • Comentários
    • Esta é uma importante luta no respeito à dignidade e à diversidade cultural!
    • Nacionalidade
    • Brasileira
  • Waldemario Alves de Oliveira
    • Comentários
    •  
    • Nacionalidade
    • Brasileiro
  • Antonio Marcos Silva Santos
    • Comentários
    •  
    • Nacionalidade
    • Brasileira
  • Michele Cristina Alves Vieira
    • Comentários
    •  
    • Nacionalidade
    • Brasileira
  • Maria Paula Meneses
    • Comentários
    •  
    • Nacionalidade
    • Mocambicana
  • Ligia Cintra de Lima Trindade
    • Comentários
    •  
    • Nacionalidade
    • brasileira
  • Erlando da Silva Rêses
    • Comentários
    •  
    • Nacionalidade
    • brasileira
  • Janaína Macedo
    • Comentários
    •  
    • Nacionalidade
    • Angolana
  • Boaventura de Sousa Santos
    • Comentários
    •  
    • Nacionalidade
    • Portuguesa
  • Vinicius Cesca de Lima
    • Comentários
    •  
    • Nacionalidade
    • Brasileira
  • Élida Lauris
    • Comentários
    •  
    • Nacionalidade
    • Brasileira
  • Luciana Galante
    • Comentários
    •  
    • Nacionalidade
    • Brasileira
  • Mariam Rita Fawole
    • Comentários
    •  
    • Nacionalidade
    • São Tomé e Príncipe
  • Gabriele Masini
    • Comentários
    •  
    • Nacionalidade
    • Italiana
  • Márcia Oliveira
    • Comentários
    •  
    • Nacionalidade
    • Brasileira
  • Dalila Coura
    • Comentários
    •  
    • Nacionalidade
    • Brasil
  • Fritz Gambas
    • Comentários
    • eu pensei que fosse uma outra entrevista, dobrada! uma piada de péssimo gosto! não quis acreditar!!! mas pior que as falsas informações ofensivas sobre as pessoas ou a ignorância ao ponto de não saber aonda está Angola é que a globo CONTINUA DISPONIBILIZANDO o video no seu site: http://tinyurl.com/22z8bx TENHAM DO, PEÇAM DESCULPA AO MUNDO, APAGAM A MANCHA!
    • Nacionalidade
    • Suiço
  • Cristiana Gaspar
    • Comentários
    •  
    • Nacionalidade
    • Portuguesa
  • Yara dos Santos Costa
    • Comentários
    • NÃO AO RACISMO!!!!
    • Nacionalidade
    • Brasileira
  • Eder
    • Comentários
    •  
    • Nacionalidade
    • Brasileiro
  • Daniel da Silva Bento Teixeira
    • Comentários
    •  
    • Nacionalidade
    • Brasileiro
  • Isabel Abreu
    • Comentários
    •  
    • Nacionalidade
    • Portuguesa
  • Lidia
    • Comentários
    •  
    • Nacionalidade
    • Santomesnse
  • André Caputo Menezes
    • Comentários
    •  
    • Nacionalidade
    • Angolana
  • Dipaula Minotto da Silva
    • Comentários
    •  
    • Nacionalidade
    • Brasileira
  • Helen Audrey Pichler
    • Comentários
    •  
    • Nacionalidade
    • brazilian
  • Cátia Karina Gomes Nunes
    • Comentários
    •  
    • Nacionalidade
    • Guineense
  • Adriana Machado
    • Comentários
    •  
    • Nacionalidade
    • Brasileira
  • Taiye Rita
    • Comentários
    •  
    • Nacionalidade
    • Santomense
  • Tania Pacheco
    • Comentários
    •  
    • Nacionalidade
    • brasileira
  • João Porto de Albuquerque
    • Comentários
    •  
    • Nacionalidade
    • Brasileiro
  • Nilma Lino Gomes
    • Comentários
    • Espero que providências urgentes sejam tomadas. Hoje, dia Nacional da Consciência Negra é um dia simbólico da luta dos negros no Brasil. Não podemos permitir que situações como essa permaneçam. O povo negro brasileiro e, sobretudo, as mulheres negras brasileiras merecem respeito.
    • Nacionalidade
    • Brasileira
  • Danielle Ayres
    • Comentários
    •  
    • Nacionalidade
    • Brasil
  • Raul Mendes Fernandes
    • Comentários
    • por um mundo sem racismo nem sexismo
    • Nacionalidade
    • caboverdeano
  • Juliana Torquato Luiz
    • Comentários
    •  
    • Nacionalidade
    • Brasileira
  • arlete morais
    • Comentários
    • francamente Jô, não há palavras que possam justificar esse acto...isso é digno do NO COMMENTS
    • Nacionalidade
    • portugal
  • Neia Ferreira
    • Comentários
    • De mal gosto e muito baixo nível!!!! o Jô Soares não precisava disso.
    • Nacionalidade
    • Brasileira
  • Isaac Soares Bastos
    • Comentários
    •  
    • Nacionalidade
    • brasileira
  • Alexandra Alves de Oliveira
    • Comentários
    • lamentável, nojento, abominável. Imagine-se como um homem desses tratará a sua esposa (se a tiver!)!
    • Nacionalidade
    • Portuguesa
  • Cristiana Viegas de Andrade
    • Comentários
    •  
    • Nacionalidade
    • Brasileira
  • Ana Elisa De Carli dos Santos
    • Comentários
    • Diante de tal evento lamentável, é fundamental a denúncia e mobilização contra essas formas de opressão veiculadas em nosso cotidiano. O que evidencia como o racismo e o sexismo fazem-se presentes na sociedade brasileira, e a necessidade de se combatê-lo tanto institucionalmente quanto individualmente. Viva o dia 20 de novembro, dia nacional da Consciência Negra.
    • Nacionalidade
    • Brasileira
  • Maria da Conceiçao de Souza Sobrinho
    • Comentários
    •  
    • Nacionalidade
    • Brasileira
  • Bleizy Costa
    • Comentários
    •  
    • Nacionalidade
    • Santomense
  • Ana Patrícia Marques Abreu
    • Comentários
    •  
    • Nacionalidade
    • Portuguesa
  • Izabel Cristina B.N.Cruz
    • Comentários
    •  
    • Nacionalidade
    • Brasiliera
  • djamylla torres apresentação
    • Comentários
    •  
    • Nacionalidade
    • saotomense
  • Luís Fernando Lourenço
    • Comentários
    •  
    • Nacionalidade
    • brasileira
  • Edith Seligmann Silva
    • Comentários
    •  
    • Nacionalidade
    • Brasileira