Sim ao Aeroporto Internacional Almirante Gago Coutinho

  • Author:
    n/a
  • Send To:
    Governo português, ANA Aeroportos de Portugal, Câmara Municipal de Lisboa
  • Sponsored By:
  • More Info at:
Esta petição nasce da leitura da carta de Carlos Leça da Veiga, publicada no jornal Público de 6 de Abril de 2009, que mais abaixo se transcreve, em defesa da denominação "Aeroporto Internacional Almirante Gago Coutinho" para o aeroporto internacional de Lisboa.

PETIÇÃO EM DEFESA DO NOME "AEROPORTO INTERNACIONAL ALMIRANTE GAGO COUTINHO" PARA O AEROPORTO INTERNACIONAL DE LISBOA

Considerando:

- A importância e significado que a primeira travessia aérea do oceano Atlântico, realizada pelo Almirante Gago Coutinho e pelo Comandante Sacadura Cabral, tem para Portugal, para a História e para a Ciência;

- O contributo maior do Almirante Gago Coutinho para a geografia e para a ciência da navegação aérea;

- A justeza de homenagear o homem, o cientista e o português ilustre;

- O interesse em dar a conhecer quem fez a primeira travessia aérea do oceano Atlântico e em que circunstâncias, nomeadamente aos milhares de viajantes de todas as nacionalidades que passam por Lisboa.

Os signatários apelam ao Governo português, à ANA Aeroportos de Portugal e à Câmara Municipal de Lisboa para que atribuam ao aeroporto internacional de Lisboa o nome de AEROPORTO INTERNACIONAL ALMIRANTE GAGO COUTINHO.





Transcrição da carta de Carlos Leça da Veiga em defesa do "Aeroporto Internacional Almirante Gago Coutinho":

Tribunal dos Leitores
Público, 06.04.2009

O feito de Gago Coutinho e Sacadura Cabral

Não há muitos dias, na vossa "Tribuna do Leitor", o Senhor Miguel Mota ocupou-se – e muito bem – em dar a publicidade mais devida e a respectiva condenação ao facto inacreditável e muito lamentável de, sabe-se lá porquê, ter deixado de existir o monumento que assinalava a partida, de Lisboa, em 30 de Março de 1922, do Almirante Gago Coutinho e do Comandante Sacadura Cabral, para a Primeira Travessia Aérea do Oceano Atlântico. O património nacional, como parece ter-se tornado hábito indesculpável, foi vítima de mais outra agressão. Desta vez, por obra do camartelo, foi desrespeitada a memória dos dois últimos grandes vultos da História nacional. Quem estará por detrás da autoria material do despautério? Quem foi o mandante do atentado?
Se devia prestar-se homenagem nacional perpétua ao destemor, uma verdadeira heroicidade, dos dois homens que de avião, pela primeira vez, atravessaram a imensidão do Atlântico, também o saber científico inovador, senão revolucionário, do Almirante Gago Coutinho devia estar assinalado a letras de ouro, pelo menos, na História portuguesa.
Alguém - um dos muitos cujo analfabetismo por cá manda - parece ter achado por bem ajudar, decididamente, a que seja esquecido o último facto histórico português dum lugar de honra no historial da Ciência e da Aviação.
Em boa verdade, se o monumento ribeirinho, em má hora mandado retirar - tenhamos consciência - pela sua própria singeleza não estava à altura do acontecimento a celebrar, então, o que devia ser feito era começar por construir outro, com a grandeza justificada e colocado num lugar bem apropriado cujo, tenho o atrevimento de sugerir. É inadmissível que o Aeroporto Internacional de Lisboa tenha a designação inexpressiva "da Portela" quando merecia ser denominado como Aeroporto Internacional de Almirante Gago Coutinho, e mais, precisava de ter bem explicito e bem visível, com a monumentalidade mais exigível, que este Almirante e o Comandante Sacadura Cabral foram, de facto, quem, de avião, primeiro atravessou o Atlântico e ensinaram ao mundo o método científico da navegação aérea.
Era muito positivo que milhares de viajantes de todas as nacionalidades, ao passarem por Lisboa tivessem a sorte de aprender quem, de facto, cometeu a façanha da primeira travessia aérea do Atlântico e, assim, ficarem a saber que não foi o norte-americano Lindberg quem a fez. Este por muita valentia demonstrada - ninguém pode tirar-lhe méritos - voou, sobretudo, com fé em Deus, mas ao sabor do acaso.
A justiça, se alguma houver, dir-nos-á que o heróico Comandante Sacadura Cabral, mais um aviador militar morto no cumprimento do seu dever, por igual, bem merece - mais do que ninguém - ter o seu nome a enobrecer o outro maior aeroporto nacional.
Carlos Leça da Veiga
Lisboa